Jacinto e Apolo de Jean Broc

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

que pena,
amor,
eu plantei tantos versos nos teus ouvidos

e nem um
nem um brotinho de poesia sequer
mísera singela pequena que fosse
nada

só os números tontos
os códigos brutos
as camisas de flanela
e o cigarro que tu fumas de um jeito bonito

não amo canteiros onde a poesia não nasce
mas te amo
porque quer queira quer não
é abraçando o inverno
que a gente sonha e cria as primaveras

fica faltando
então
dizeres com a boca
encostada na minha
o que teus olhos de anjo
nunca negaram:

se sou eu um pobre e teimoso girassol
que nasce olhando pro chão
tu és o meu sol
que me abraça
me aquece
e me dá tudo
a terra
a saliva
e o céu.

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